Tendências de Compliance para 2026
- grupoforteconsulto
- 23 de jan.
- 3 min de leitura
Atualizado: 30 de jan.
O Compliance corporativo brasileiro atravessa um momento de consolidação e tensão estratégica

Expansão e desafios
Esse cenário é demonstrado pelos dados da 3ª Pesquisa Nacional sobre Necessidades e Tendências do Compliance, administrada pela Be.Aliant, que aponta uma área mais madura do ponto de vista institucional, porém pressionada a demonstrar resultados e comprovar valor.
O escopo de tarefas cresceu, a interação com todas as áreas da organização aumentou, entretanto, mas o crescimento não foi acompanhado, na mesma proporção, por investimentos, e a maioria das estruturas permanece enxuta.
Times executam tarefas de forma manual e atividades estratégicas figuram com baixa taxa de execução. Esses fatores evidenciam sobrecarga operacional e a necessidade de priorização estrutural, automação e o uso da inteligência de dados.
O principal desafio, portanto, não é mais a existência do programa, mas a capacidade de comprovar efetividade e impacto real para o negócio.
Reputação: um ativo tangível
Atualmente, reputação é um ativo tangível que possui capacidade de influenciar tanto decisões de consumo quanto a atratividade de talentos, diante do público jovem.
O poder de vocalização dos usuários das redes sociais trouxe nova dinâmica ao mercado e conferiu voz ativa para potenciais stakeholders, sob os seguintes aspectos:
o “boca a boca” digital gera influência nas decisões de compra e possibilita cancelamentos,
o consumidor moderno utiliza as redes para cobrar posicionamento, qualidade e ética,
pesquisas realizadas pela Foundever revelam que 62% dos consumidores consideram decisivas avaliações online e postagens na escolha das marcas que consomem.
Nesse contexto, Compliance se torna ferramenta de reputação, atuando na prevenção de crises, na mitigação de riscos, auxiliando na coerência entre discurso institucional e práticas reais.
Tecnologia, dados e o paradoxo da Inteligência Artificial
A exigência por automação, integração de dados e uso de Inteligência Artificial figura entre as tendências em Compliance para 2026, com o objetivo de tornar times mais eficientes e possibilitar o aumento da capacidade analítica, escala e habilidade de mensurar resultados.
Porém, estudos como The GenAI Divide: State of AI in Business 2025 (MIT Media Lab / NANDA) revelam um paradoxo importante: 95% dos projetos corporativos de IA falharam, enquanto o uso individual da tecnologia foi amplamente absorvido. Entre as causas apontadas estão:
mudanças frequentes nas necessidades das organizações em curtos espaços de tempo,
a forma como os modelos foram integrados ao fluxo de trabalho das empresas.
ESG, Compliance e riscos emergentes no centro da estratégia empresarial
Environmental, Social and Governance (ESG) representa Ambiental, Social e Governança (ASG), em português, e representam critérios que avaliam o desempenho das empresas em sustentabilidade ambiental, responsabilidade social e práticas de governança corporativa.
Atualizações normativas da NR-1 obrigam a inclusão dos fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, com o objetivo de proteger a saúde mental e a garantia de ambientes de trabalho saudáveis.
A partir de maio de 2026, a fiscalização trabalhista passará a emitir multas sobre a gestão da saúde mental. Será necessário identificar, avaliar e controlar os fatores de risco nos ambientes de trabalho, com o intuito de evitar multas administrativas e ações trabalhistas, onde o Programa de Gerenciamento de Riscos será utilizado como prova de nexo causal.
No campo do ESG, Compliance já exerce papel relevante ao lidar com:
integridade nas relações com stakeholders;
mapeamento normativo e de indicadores;
governança de canais, comitês e instâncias decisórias.
A gestão de riscos psicossociais ganha destaque, especialmente relacionados a:
assédio moral,
ambientes de trabalho tóxicos,
Burnout,
estresse crônico,
impactos na segurança e saúde do trabalho.
Nesse contexto, Compliance deixará de ser reativo para tornar-se preventivo e deverá utilizar competências e ferramental para demonstrar riscos em conjunto com as áreas de recursos humanos e saúde ocupacional e, em termos práticos, na:
identificação e demonstração dos riscos,
definição de planos de ação,
estruturação de canais de denúncia e de acolhimento,
treinamentos e testes de integridade em processos seletivos,
além da disseminação efetiva de políticas internas com a garantia de que todos estão cientes dela na organização.
Essa atuação exige novas competências dos profissionais de Compliance, que precisarão lidar com temas sensíveis, comunicação qualificada e gestão de conflitos.
Em 2026, fazer o mínimo não será suficiente
O contexto exige maturidade, coerência e compromisso real com a integridade. Dados e análises, questões regulatórias e comportamentais, ética nos negócios mudaram o foco de Compliance, que deixou de ser uma função de apoio para se tornar um pilar estratégico para a reputação e sustentabilidade.
Para 2026, as empresas precisarão:
incorporar a cultura proativa de integridade às estratégias de negócios,
investir no uso de tecnologia de dados para monitorar, reduzir o tempo de apuração de denúncias e otimizar a eficiência investigativa,
integrar Compliance à gestão de riscos e ESG,
considerar riscos psicossociais com seriedade,
Fazer o mínimo, do ponto de vista legal e regulatório, não basta. A integridade deve ser vivida e representada na cultura organizacional, através de práticas reais.
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